Artigos
Simplesmente super-heróis
05/02/2010
Sobrevivem empregados e superam o analfabetismo funcional
O mundo moderno é surpreendente. Surpreendente porque suas contradições são extemporâneas, hilárias e bruscas, o que nos faz crer que muitas pessoas, milhões delas, são como passarinhos engaiolados. Elas sentem, enxergam, admiram a beleza do lado de fora, mas por falta de liberdade e oportunidade permanecem presas em suas limitações.
A rede social Facebook, a mais nova onda das ferramentas de relacionamento, desde que o site abriu ao público não estudante há pouco mais de 3 anos, o número de membros duplicou para 24 milhões e os usuários passam em média 14 minutos conectados. Em contradição a este fato podemos salientar que o Brasil em 2007 já apresentava uma população maior que 180 milhões e que 12% destes brasileiros eram analfabetos. Outros 30% da população são considerados analfabetos funcionais e um terço dos jovens com idade entre 18 e 24 anos não freqüenta escolas de ensino médio. Essas conclusões são da publicação Anuário 2007: Qualificação Social e Profissional divulgada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) no período de março de 2008. Quer dizer, nossa população de analfabetos é superior a população do site mais badalado de nosso mundo, nós avatares do Século XXI, portadores assim, de uma contemporaneidade duvidosa.
Se nossos cálculos não estão errados, 30% de 200 milhões seriam nada mais e nada menos, do que 60 milhões de pessoas que sabem ler e escrever o seu nome, mas tem imensa dificuldade em interpretar, desenvolver reflexões, pensar e definir caminhos a partir da linguagem escrita – Analfabetos Funcionais. Seguindo o que a UNESCO, indicava em meados de 90, o IBGE passou a divulgar os índices de analfabetismo funcional, tomando como base não a auto-avaliação dos respondentes, mas o número de séries escolares concluídas. A partir do que foi determinado passou a ser adotado como analfabetas funcionais as pessoas com menos de quatro anos de escolaridade.
É impossível se colocar no papel dessas pessoas analfabetas funcionais. Ir ao caixa eletrônico não é só passar o cartão na máquina, mas ter assimilado o raciocínio de quem criou aquela máquina. Voltar, anular, entrar. Um e-mail não é só lê-lo. Baixar, deletar, encaminhar, expressões comuns para quem "navega" pela internet são um vocabulário grego para essa legião analfabetos funcionais que migram para a nova categoria de analfabetos digitais.
Deparamos-nos, a pouco tempo, ao aplicar um teste em um treinamento, que algumas pessoas não conseguiam responder. No primeiro momento alegaram ter esquecido os óculos. No segundo, alegaram que a luz era ruim. Depois pediram para fazer em casa. Mas como temos sempre considerado que desenvolvimento e treinamento antes de qualquer coisa são prestar atenção no ser humano que está na nossa frente, assumimos um papel de ler as
questões e suprimir as dúvidas. Como resultado, conseguimos fazer com que todos realizassem os testes e por incrível que pareça, os que não conseguiam ler não apresentavam nenhum bloqueio em quadrantes cerebrais que comprometesse o domínio das emoções e mais, ao vencerem o desafio mesmo com nossa ajuda, assumiram posição de liderança.
Os dois pontos chaves do analfabetismo funcional são a falta de escola ou a escola não feita. Quer dizer, tirar o passarinho de uma gaiola e possibilitar ver o mundo além do próprio concretismo da informação. O combate ao analfabetismo funcional na empresa passa pela coragem da empresa em investigar e ter consciência da problemática. Após essa investigação os respondentes também tem que fazer o seu papel: determinação por parte do estudante de substituir parte do seu tempo por um rotineiro hábito de leitura, que a empresa pode por em prática em forma de oficinas poéticas, de teatro, até técnicas que visem não apenas à apreensão de informações técnicas, mas principalmente à solução ou amenização dessa deficiência básica de leitura, compreensão e produção da escrita. Trazer para o estudante obras com assuntos relacionados ao mundo de referência destas pessoas tem demonstrado ter mais eficiência e maior adesão.
Aceitar analfabetos em pleno século XXI, empregados ou em busca de uma colocação no mercado é inadmissível. Para a idéia de um mundo que seja uma folha de papel, onde ao mesmo tempo em que somos protagonistas também deixemos escrita a nossa história, temos que evocar por pessoas que participem da paisagem de forma completa. Que possam se apoderar dos seus universos, renovando-o e transformando-o tais como leitores. Porque a vida é tal como os livros, eles se inscrevem sempre de forma particular em cada um de nós.
Homenagear os super-heróis não diminui nossa indignação pela restrição impostas a estes seres humanos que merecem um lugar ao sol.
Redator: Sander Machado
Profissional de comunicação, redator. Coordenador do Núcleo Celebração do Instituto Eckart. Diretor Criativo da ILê Comunicação. Entre outros prêmios já conquistou Top Nacional de MARKETING ADVB, ESPM/RS, Mérito Lojista, ANAMACO e Central Outdoors. Formação em Comunicação Social Publicidade e Propaganda, Antropologia, mestrando da Psicologia Social.
O mundo moderno é surpreendente. Surpreendente porque suas contradições são extemporâneas, hilárias e bruscas, o que nos faz crer que muitas pessoas, milhões delas, são como passarinhos engaiolados. Elas sentem, enxergam, admiram a beleza do lado de fora, mas por falta de liberdade e oportunidade permanecem presas em suas limitações.
A rede social Facebook, a mais nova onda das ferramentas de relacionamento, desde que o site abriu ao público não estudante há pouco mais de 3 anos, o número de membros duplicou para 24 milhões e os usuários passam em média 14 minutos conectados. Em contradição a este fato podemos salientar que o Brasil em 2007 já apresentava uma população maior que 180 milhões e que 12% destes brasileiros eram analfabetos. Outros 30% da população são considerados analfabetos funcionais e um terço dos jovens com idade entre 18 e 24 anos não freqüenta escolas de ensino médio. Essas conclusões são da publicação Anuário 2007: Qualificação Social e Profissional divulgada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) no período de março de 2008. Quer dizer, nossa população de analfabetos é superior a população do site mais badalado de nosso mundo, nós avatares do Século XXI, portadores assim, de uma contemporaneidade duvidosa.
Se nossos cálculos não estão errados, 30% de 200 milhões seriam nada mais e nada menos, do que 60 milhões de pessoas que sabem ler e escrever o seu nome, mas tem imensa dificuldade em interpretar, desenvolver reflexões, pensar e definir caminhos a partir da linguagem escrita – Analfabetos Funcionais. Seguindo o que a UNESCO, indicava em meados de 90, o IBGE passou a divulgar os índices de analfabetismo funcional, tomando como base não a auto-avaliação dos respondentes, mas o número de séries escolares concluídas. A partir do que foi determinado passou a ser adotado como analfabetas funcionais as pessoas com menos de quatro anos de escolaridade.
É impossível se colocar no papel dessas pessoas analfabetas funcionais. Ir ao caixa eletrônico não é só passar o cartão na máquina, mas ter assimilado o raciocínio de quem criou aquela máquina. Voltar, anular, entrar. Um e-mail não é só lê-lo. Baixar, deletar, encaminhar, expressões comuns para quem "navega" pela internet são um vocabulário grego para essa legião analfabetos funcionais que migram para a nova categoria de analfabetos digitais.
Deparamos-nos, a pouco tempo, ao aplicar um teste em um treinamento, que algumas pessoas não conseguiam responder. No primeiro momento alegaram ter esquecido os óculos. No segundo, alegaram que a luz era ruim. Depois pediram para fazer em casa. Mas como temos sempre considerado que desenvolvimento e treinamento antes de qualquer coisa são prestar atenção no ser humano que está na nossa frente, assumimos um papel de ler as
questões e suprimir as dúvidas. Como resultado, conseguimos fazer com que todos realizassem os testes e por incrível que pareça, os que não conseguiam ler não apresentavam nenhum bloqueio em quadrantes cerebrais que comprometesse o domínio das emoções e mais, ao vencerem o desafio mesmo com nossa ajuda, assumiram posição de liderança.
Os dois pontos chaves do analfabetismo funcional são a falta de escola ou a escola não feita. Quer dizer, tirar o passarinho de uma gaiola e possibilitar ver o mundo além do próprio concretismo da informação. O combate ao analfabetismo funcional na empresa passa pela coragem da empresa em investigar e ter consciência da problemática. Após essa investigação os respondentes também tem que fazer o seu papel: determinação por parte do estudante de substituir parte do seu tempo por um rotineiro hábito de leitura, que a empresa pode por em prática em forma de oficinas poéticas, de teatro, até técnicas que visem não apenas à apreensão de informações técnicas, mas principalmente à solução ou amenização dessa deficiência básica de leitura, compreensão e produção da escrita. Trazer para o estudante obras com assuntos relacionados ao mundo de referência destas pessoas tem demonstrado ter mais eficiência e maior adesão.
Aceitar analfabetos em pleno século XXI, empregados ou em busca de uma colocação no mercado é inadmissível. Para a idéia de um mundo que seja uma folha de papel, onde ao mesmo tempo em que somos protagonistas também deixemos escrita a nossa história, temos que evocar por pessoas que participem da paisagem de forma completa. Que possam se apoderar dos seus universos, renovando-o e transformando-o tais como leitores. Porque a vida é tal como os livros, eles se inscrevem sempre de forma particular em cada um de nós.
Homenagear os super-heróis não diminui nossa indignação pela restrição impostas a estes seres humanos que merecem um lugar ao sol.
Redator: Sander Machado
Profissional de comunicação, redator. Coordenador do Núcleo Celebração do Instituto Eckart. Diretor Criativo da ILê Comunicação. Entre outros prêmios já conquistou Top Nacional de MARKETING ADVB, ESPM/RS, Mérito Lojista, ANAMACO e Central Outdoors. Formação em Comunicação Social Publicidade e Propaganda, Antropologia, mestrando da Psicologia Social.
Paulo Ricardo Silva Ferreira
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