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A máxima do MAS SE... E o vôo 3054

25/08/2008

A máxima do MAS SE... E o vôo 3054


Há muitas lições que podemos tirar da tragédia no aeroporto de Congonhas com vôo da TAM 3054, no dia 16 de julho de 2007. A primeira e a mais importante é que a existência de uma pessoa é muito mais admirável do que qualquer poder econômico. Há também que colocarmos nossas mentes para pensar que a falta de limites, a multiplicidade competitiva, a despersonalização do caráter ético tem levado as empresas a vender a qualquer preço colocando em risco a vida dos seus usuários. E de fato, é novamente o momento de problematizar as responsabilidades do governo. Ao invés do governo alocar tanta energia para se tornar um empreendedor mercadológico através de suas várias empresas o que esperamos realmente é que ele cumpra com transparência e sem corrupção o seu papel de mediador - aplique medidas preventivas e punitivas que garantam uma política de segurança e qualidade dos bens de serviço e produtos que consumimos.

Então a ambiência de toda esta questão revela a grande máxima – a do "MAS SE". Esta impressão que explica o fato e mais, coloca-o em um presente lançado para o futuro sempre numa alegria pronta a contornar a decepção: "MAS SE tivéssemos planejado a situação e os riscos", "MAS SE não fosse aquele único número eu tinha ganhado na loteria", "MAS SE tivesse aproveitado mais momentos com a minha família estava mais realizado", "MAS SE eu fosse para lá tudo por cá seria mais feliz".

A máxima do MAS SE está para um tapete que podemos ir colocando para baixo a poeira que nos interessa. Como se os prejudicados, algumas vezes até nós mesmos, pudessem ser recompensados com apenas justificativas. As pessoas que se foram na tragédia do vôo 3054 não voltarão SE a pista tivesse em boas condições, SE a ANAC não viesse tomando uma postura no mínimo duvidosa, SE não pararmos com as explicações e partirmos para o controle da situação.

Temos que parar com essa ilusão que todo controle pode ser efetuado a base de planilhas. As planilhas e outros tantos indicadores de ordem que têm sido instituídos nas empresas para garantir a qualidade dos seus bens e o atendimento aos seus clientes têm demonstrado que carecem de uma consciência afetiva, responsabilidade e ética.  Relatórios que começam a serem questionados porque não evidenciam em lugar algum o apartheid, os desvios de caráter, as perversidades que são cometidas e agregam uma desvalorização ao produto-final como um todo.

Quantos a partir desta tragédia não irão pensar duas vezes em voar nas aeronaves da TAM? Todos sabem que esta companhia tem demarcadores de ponta na sua qualidade de gestão. Então, não foi o que faltou. O que está em falta para as organizações são indicadores confiáveis de virtude, sensibilidade, coerência e bom senso ou as mesmas permanecerão presas fáceis conscientes ou inconscientes de políticas mercantilistas. Quatro diretores da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) foram condecorados, em Brasília, com a medalha do mérito Santos Dummont, três dias depois do acidente com o avião da TAM em Congonhas. A condecoração, presidida pelo vice-presidente da República, José Alencar, foi na Base Aérea - a medalha é entregue a civis e militares pelos serviços prestados à Aeronáutica. Entre os condecorados, estão o diretor-presidente da Anac, Milton Zuanazzi, e três outros diretores, Denise Abreu, Leur Lomanto e Josef Barat. Tudo que está acontecendo no mínimo desonra qualquer tipo de estratégia voltada para a inteligência competitiva.

No dia 29 de setembro de 2006, há menos de um ano um vôo da empresa área Gol se chocou com um Embraer Legacy vitimando mais de 154 pessoas. Detestamos concluir que esquecemos disto e o assunto só volta a tona agora. Será que esqueceremos também dos inúmeros planos das pessoas do vôo 3054 que poderiam ser realizados SE não fosse a imprudência, a falta de sensibilidade e o espírito dinheiristas de alguns líderes deste setor. Provavelmente e infelizmente este estado de luto vai passar para o Brasil. Mas, para as famílias isto tudo ficará para sempre. É por elas que devemos fazer algo. É por nossos clientes prejudicados que devemos rever nossos termos de garantia. É por nossos empregados com dificuldades que devemos oferecer soluções. É porque cada vez existe menos mercado para as empresas que não tem uma posição mais efetiva em relação as suas políticas de responsabilidade social que temos que parar com essa máxima do MAS SE.

É pelos prejudicados que estamos lutando por um mundo mais generoso.  Pense nisso: na construção do seu dia, nos planos da sua empresa, no futuro que está plantando para seus filhos, sobrinhos e netos. O sonho é o desagrado do impossível em relação à sonolência do possível. Um mundo melhor para todos é que é um mundo melhor.

Paulo Ricardo Silva Ferreira