Competências Humanas Multidimensionais
Competências Humanas Multidimensionais
Com autorização de quem tornamos esse universo tão indivisível em algo tão divisível? Uma luta tomada pelo nosso espírito científico ou nosso feitiço começa a se virar contra os próprios feiticeiros? O conceito de separabilidade está se esfarelando como um castelo de areia. Não é mais "convivente" e nem conivente essa metodologia indutiva de Bacon - Do pensador nos cabe o legado de prosseguir para um Novum Organum.
Ao observar a vida por cinco dimensões - biológicas/ psicológicas/ sociológicas/ econômicas/ inconsciente coletivo – criamos alternativas que possibilitam evitar o caminho cartesiano do nosso pensamento. Podemos trazer de volta a amizade entre o tudo e todos. Descartes é considerado o primeiro filósofo moderno e com certeza não desejaria ser o último. Se ainda conseguirmos esvaziar a mente com certeza será possível expandir nossa capacidade de entender a realidade e melhor aproveitar recursos naturais humanos para realizar planejamento, montar planos, criar as condições para inovar, empreender e imaginar o futuro.
Isolamento e afastamento são doenças. Doenças que felizmente não nos acompanharam na jornada para permanecermos vivos. Nós seres humanos que nos entendemos como Gentes, há 3,4 bilhões de anos nos direcionamos para suprir as nossas necessidades utilizando de todo o ferramentário de alternativas que conseguimos imaginar. Mas aproveitá-las nas organizações parece não ser território fértil.
O mundo interno que há em cada um não conjuga essa noção absurda de que pessoal e profissional são coisas separadas, que trabalho e entretenimento são coisas separadas, que humanidade e natureza são coisas separadas, que competição e cooperação são coisas separadas. O nosso relógio biológico não separa as molas dos ponteiros.
Obra da combinação humana
E as Organizações? Bem, estas são obra da combinação humana. Se entendermos desta forma, podemos suportar observar os nossos limites de co-criadores (Eu), os limites das nossas inspirações (nós) e sua correlação com as organizações (coletivo). E como elas são formadas de seres humanos não poderia ser diferente que também sejam seres vivos (imaginários, mas completamente envolvidos de uma dimensão real). Sendo assim é presente que as organizações necessitem de alicerce para se desenvolver em múltiplas dimensões: institucional, expressão, tecnológica, econômica, sombra organizacional – a projeção das dimensões humanas.
A ciência fragmentou para entender. Os métodos científicos nos organizaram, mas em contrapartida geraram um embotamento que atingiu diretamente a criatividade humana e não foi para frente, infelizmente nesse aspecto acabamos andando para trás. A previsibilidade e estabilidade que os métodos apregoam desarticularam o instinto humano, paramos nos indicadores, análises e avaliações de risco e não conseguimos chegar à ação.
Discutir sobre competências humanas multidimensionais é oferecer tecnologia para que as pessoas possam tomar decisões e direcionar suas carreiras. Desenvolver nelas habilidades para que façam relações entre o que observam, os modelos teóricos e o que não observam, possibilitando o aumento do desempenho humano na busca de referências estáveis visando superar circunstâncias de grande ansiedade e impermanência dos dias atuais.
Obviamente que há um grave equívoco nesse modelo monológico que a maioria das organizações estão enfiadas. "O olhar deve ter abertura e amplitude. Esse é o olhar duplo de percepção e visão" (Livro de Cinco Anéis). Trabalhar habilidades como: lideranças, iniciativa, visão estratégica, postura ética e profissional são maneiras cognitivas de buscar competências. O grande desafio é desenvolver a capacidade de interpretar as mudanças paradigmáticas que possam interferir no mercado e, diretamente, nas organizações e pessoas.
Por isto entendemos que: ter competência é fazer uso de um conhecimento lapidado pela ciência1. Isto produz riqueza. Todas as formas de riqueza.
