Consultor, o psicanalista de empresas
Consultor, o psicanalista de empresas
"Nunca ande pelo caminho traçado,
pois ele conduz somente até onde os outros já foram."
Alexander Graham Bell, inventor do telefone
Grande parte dos administradores procuram resolver os problemas de suas empresas repetindo a trajetória seguida por outras organizações. É o famoso benchmarking, em moda no Brasil. Ao copiar soluções que deram certo em algum lugar, muitas vezes os gestores acreditam que vão superar a crise. No primeiro momento, algumas vezes até conseguem resultados positivos, mas logo o problema reaparece mais forte, com anticorpos que tornam sua solução ainda mais difícil.
Assim como as pessoas, as empresas possuem dinâmicas invisíveis a olho nu. Possuem personalidade própria, que exige tratamento individual. Não existe cartilha ou saída mágica. É preciso radiografar a alma da empresa, desvendando seus segredo, para poder tratá-la terapeuticamente. Nesse sentido, o consultor assemelha-se a um psicanalista. Deve estudar com profundidade a história do paciente, os traumas, os conflitos e as peculiaridades. Precisa conhecer os agentes internos e externos, estabelecendo relações que estrapolem as análises rápidas e rasas. Aplicar o mesmo remédio que deu certo em outra instituição traz mais riscos do que possibilidade de acerto.
Cuidado! O consultor chegou
A chegada do consultor numa empresa gera ansiedade, talvez como a primeira visita a um psicoterapeuta. É a relação do doente com o médico. Necessita de empatia, de confiança. Mas, muitas vezes, a história acontece de outra forma. Vaidosos ou arrogantes, alguns consultores provocam a resistência dos empregados. Nasce a "Rádio Corredor", onde circulam boatos sobre demissão, redução de salários, corte de benefícios e todo o tipo de especulação.
Por outro lado, as informações sobre a empresa, transmitida por gerentes de todos os níveis, chegam maquiladas. Aparentemente a empresa não tem problemas. Então, por quê ajuda externa? Exatamente para encontrar, nas entrelinhas, aquilo que não é dito. Descobrir o que acontece nas sombras. Assim, os critérios para escolha do consultor devem ser tão ou mais rígidos do que as exigências que temos para contratar alguém que cuide de nossa saúde.
O consultor deve ter sensibilidade para enxergar o invisível. Precisa capacidade para interpretar sonhos, desejos, frustrações e tudo aquilo que não pode ser quantificado pelos controles já existentes. Não basta ter teoria e esconder-se dentro de ternos bem cortados. Deve ter a sabedoria para não adotar soluções óbvias, disponíveis nas revistas técnicas da semana.
Saber interagir com o grupo, garimpando informações aparentemente sem utilidade, é outra importante tarefa do consultor. A criatividade deve estar presente na formulação das perguntas certas, feitas com respeito e coragem. As novas idéias devem ser propostas como desafios que sirvam para agregar o grupo.
Escolhendo a pessoa certa
Antes de contratar um consultor, pergunte qual foi seu último emprego. Se foi a menos de cinco anos, não contrate. Verifique se ele tem outro negócio que garanta sua sobrevivência. Se a resposta for positiva, desista. Informe-se sobre algum curso ou pesquisa que ele esteja realizando. Se não estiver se aperfeiçoando, corra, contrate outro.
Cuidado com o consultor que tiver mais de dez horas semanais para lhe atender. Em breve você terá mais um empregado. Certifique-se do endereço da consultoria. Se for residencial, desconfie. Pergunte sobre o horário em que poderá consultá-lo, se a resposta for diferente de "é só ligar para meu telefone", não é um consultor. Por último, convide-o para falar sobre consultoria "agora", se ele disser que precisa preparar, ele ainda não está pronto para facilitar a vida da sua empresa. E jamais esqueça das palavras do inventor do telefone: para chegar a soluções inovadoras "nunca ande pelo caminho traçado".
