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Comunicação Transparente

25/08/2008

A comunicação transparente todos os dias é o
que nos faz melhores todos os dias.

Antes de tudo é preciso sublinhar que estamos na era da informação. Do incrível acesso ao mais amplo arsenal de informação. Disso nasce uma relação muito simples, quanto mais informação nós adquirimos, maior é a produção de comunicação.

Em seguida é preciso que se desfaça a equidade entre comunicação e marketing, marketing e propaganda e outras tantas significações onde a comunicação ao invés de cumprir seu papel como estrutura, perfila como mera composição. Poderíamos estar sendo ortodoxos e minuciosos ao nos atermos tanto a conceitos, se este em particular, não gerasse tanta incapacidade de discernir a comunicação como uma ciência e não como uma ferramenta. Postura que origina entre outros tantos males uma patologia tão comum para tempos tão incomuns – a dupla personalidade corporativa.
Em um século que é imprescindível que a empresa de dentro tenha a mesma representação concreta e simbólica que a empresa de fora. Nunca ficou tão exposta a contradição existente nas organizações em relação à sua comunicação em si e a comunicação de si.

Quando temos duas pessoas se comunicando existem dezesseis combinações, o que o primeiro agente pensa que é, o que o interlocutor pensa que ele é, o que ele é e, principalmente, o que ele não é.
As duas pessoas que entre tantas outras coisas podem estar dialogando sobre os indicadores da empresa, o planejamento estratégico ou mesmo se a nova campanha publicitária é original estão diante de quatro personagens do imaginário de cada um. A combinação de quatro dois a dois (quatro no expoente dois), portanto 16 combinações. A pergunta que deve ser enfatizada então é a seguinte - Qual o canal de comunicação que estamos seguindo para os personagens se encontrarem?

Aqui está o desafio e não é uma função de A ou B. Descobrir os canais de comunicação corretos não é uma responsabilidade apenas de publicitários, relações públicas ou jornalistas. A comunicação é uma compreensão que deve trespassar por administradores, homens de venda, recursos humanos, psicólogos, níveis técnicos, enfim por todos os quadros que direta ou indiretamente se encontram diariamente e realizam um conversar dentro da organização. Linguagem que pode ser escrita, visual ou estar subliminarmente inserida no gestual, na composição dos móveis, para quem o cafezinho é servido primeiro.

Não nos iludamos que as informações ruins podem ser escondidas. Basta um clique no Google e teremos um milhão de informações que vão desde falências, sucessão de lideranças, efeito do dólar nas empresas de exportação, até a possibilidade de investigar a vida de cada um como pessoa física. Sem cogitar que quando a organização não se propõe a uma periódica e constante gestão do ouvir e falar de forma franca e aberta, seja em empresas de pequeno, médio e grande porte, se instala a boataria. E como todos sabemos é do ventre do boato que nasce toda a insegurança, porque nunca se sabe se aquilo tem ou não tem procedência.

Sejamos transparentes para o agora e para o sempre. Privilegiemos a verdade sobre todas as coisas, mesmo que isso possa parecer momentaneamente um prejuízo. Porque na verdade, a verdade é sempre um bem. Esqueçamos que o mundo possa voltar a ser o que era – bibliotecas freqüentadas apenas por pessoas com óculos garrafais. Generosa e humildemente passemos a palavra a todos, não porque a comunicação faz parte da vida, mas porque ela é a vida. Inclusive a vida das organizações.

Paulo Ricardo Silva Ferreira