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Comportamento

Desenvelopar

20/01/2008

Entre tantos outros sinônimos mudar significa inovar, remover, substituir, transformar. Quando botamos nossas cabeças para gastar seus neurônios do que tratariam esses encontros e como eles poderiam contribuir no sentido não de um caminho e sim de andarilhos a caminhar, nós decidimos abordar o homem, a sociedade e a natureza. Mas não um tratamento isolado ou exatamente focado, onde há sempre mocinho e bandido, e tanto um quanto o outro no final da história acabam sempre figurando como imortais. Estamos aqui como mortais. Seres feitos de carne e osso que desejam trocar experiências com você, neste ou nestes universos como um todo integrado. Separá-los nos parece uma desconstrução. Acreditamos que a construção de um desenvolvimento humano e organizacional é feita de aproximação e de afastamento por que não? É um conhecimento que gera mais conhecimento.

Em tempos de competitividade acirrada, de palmo a palmo disputado por cada pedaço de mercado e sobre um constante bombardeio do conceito que privilegia o instantâneo e faz da novidade a sua própria não novidade, descobrimos que as pessoas são os bens que podem ser mais permanentes nessa grande loucura, pois em si, elas são diferentes a cada dia que acordam também minuto pós minuto. 

Só as pessoas têm um poder ilimitado de criarem o novo. O mundo então, o que vive dentro da organização, o que vive do lado de fora da empresa e o que vive sua vida com a família, no clube, no esporte, se deu conta que milagrosamente o ser só se repete quando é obrigado ao hábito. Não nos sentimos à vontade no hábito, pois ele está lá impregnado da falta de cor, falta de personalidade, de paixão. Um espaço intocável e sem mudanças. O hábito é o coletivo sem o individual e graças a cabeças geniais, hoje sabemos que o coletivo e o individual juntos se comportam muito melhor que em existências isoladas.

A nova vendedora que está diante dela veio para oferecer saídas. Mas mesmo antes que a outra pronuncie uma única palavra é ela quem toma a frente: vai abordando seus modelos, suas competências, sua expertise, sua sabedoria. Mudar o que e contribuir onde? O outro está ali engessado mesmo antes do pontapé inicial. Nossos pacotes de presente em algum lugar não encantaram e sabemos disso, ao invés de convidarmos o outro para um abrir de novas perspectivas, um desembrulhar de outras possibilidades, nós insistimos em repetir diariamente o que não desejamos para os nossos negócios.

Desejamos alguém que pense, mas entregamos uma empresa pronta. Desejamos alguém que empreenda, mas não perguntamos qual o seu projeto para solucionar o nosso projeto. Desejamos alguém que tenha idéias próprias, mas durante todas as entrevistas, briefings, jobs, consultorias, o filme e a cena se repetem: o cheio de problemas quer provar por A + B que suas soluções são mais adequadas do que às daquela pessoa que contratou ou que contratará para executar a mudança.

O hábito é o inimigo número um do prazer e o prazer é a injeção essencial para a mudança. Temos inúmeras possibilidades de criar organizações desenvelopadas, abrir mão dos selos, das cartas registradas e ouvir o endereço que o outro pode nos propor, o novo código postal, o seu SEDEX (Serviço de Encomenda Expressa). Isso cheira a crescimento, esse lado onde é muito melhor um vivo do que vários fantasmas pedindo luz.

Fale com o autor: paulo@institutoeckart.com.br

Paulo Ricardo Silva Ferreira